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Da mineralogia e indústria
28 de Maio de 2008
O município de Paranaguá que antigamente compreendia os que hoje são das Vilas de Antonina e Morretes, foram abundantes em minas de ouro... autor; Vieira dos Santos Direitos reservados ao INstituto Histórico e Geográçfico de Paranaguá

Da mineralogia e indústria

 

 

209 _ O município de Paranaguá que antigamente compreendia os que hoje são das Vilas de Antonina e Morretes, foram abundantes em minas de ouro, que se descobriram em diversos lugares de seus contornos, como foram nos rios do Guaraguaçu, Açungui, Tagaçaba, Faisqueira, rios do Pinto, Guarumbi e todas as lavras que ora são do distrito de Morretes; delas se tirou muito ouro, e ainda o haverá; mas ninguém se emprega em tais minerações. As minas de prata também haveria na serra assim chamada, pois seu nome é indicador de que nela havia deste metal e se trabalhou achando-se algumas minas e talvez porque fosse custosa a sua escavação, abandonassem sem que hoje se saiba os lugares onde os mineiros antigos trabalharam. O azougue, o estanho, ferro e enxofre não deixará de o haver, se o explorassem. Há pedreiras de amolar em vários lugares, tabatinga branca finíssima, igual à porcelana da China, e que serve de tinturaria em lugar de cal, há barros amarelentos, roxos e encarnados e pretos que também servem para tinturas, outros visguentos para fábricas de louça e telha e outras muitas substâncias vegetativas, extraídas da terra e das matas se poderiam aproveitar-se sábios meneralogistas se empregassem nos trabalhos de suas pesquisas e desentranhar desse abençoado país tantas preciosidades. Indústria. Grande vantagem podia ter qualquer homem industrioso nas ciências químicas, minerológicas e manufatureiras se quisessem aproveitar suas fadigas em tantos recursos que a natureza oferece. Quantas fábricas não se poderiam levantar neste país com as plantações do cânhamo e do algodão! Quantas mil arrobas de chá se exportariam para as Províncias do Império, se o plantassem pois que produz soberbamente! Quanto interesse não resultaria de algumas plantas herbáceas medicinais e outras da classe da tinturaria, como o açafrão, que dá uma linda cor de ouro, e o urucum de escarlate! Quantos óleos se podiam extrair das sementes do corrapatos ou baga branca da bocuíba, e mesmo de peixes cação, botos e outros oleosos! Quantos presépios e ramos de flores artificiais dos insetos, cascudos de cores de ouro e de rubim, e das lindas penas de tucanos, guarás, garças, papagaios e periquitos de mais formosura das que vem da França! Duas plantas úteis ao comércio fariam a felicidade de Paranaguá: a 1ª a plan

 

 

 

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 tação da erva-mate que seria bem aclimatada nos terrenos dos contornos das baías visto que nelas há uma espécie da mesma erva a que chama caúna; mas esta é bravia e amarga; seria facílimo transplantarem-na de Curitiba com milhares de mudas algum tanto crescidas para produzirem com brevidade, ou mesmo por via de sementeiras, se houvesse agricultores do seu bem-estar, quando com muitas e maiores dificuldades os Padres Jesuítas de Missões mandaram por seus índios domesticados, buscar mudas de erva-mate na distância de 200 a 300 léguas à serranias de Maracaju ou de Anhambaí onde os havia e com grandíssimo trabalho e sacrifícios; mas depois de sua transplantação produzindo otimamente naqueles terrenos de Missões, depois até exportavam para as Províncias de Corrientes e Santa Fé, anualmente de 30 a 40 mil arrobas de erva, e porque motivo o solo do Município de Paranaguá não obteria muito mais vantagem em sua riqueza? 2º O fumo, esta planta que te é espontânea e produz otimamente e em terrenos barrentos e de superior qualidade até para se fazerem charutos e um dos ramos mais principal do comércio do Brasil e que está totalmente em abandono a falta de seu cultivo? O químico quanta vantagem não tiraria pela arte alográfica dos álcalis fixos, vegetais, potássio, soda, e nitratos extraídos de muitas plantas indígenas do fumo, milho, bananeira da terra da embaúba, pau d´alho, feto macho, verbasco branco, girassol, alfavaca de cobra e outras muitas plantas, que nessas matas se estão perdendo, sem que delas se possa tirar nenhuma utilidade? Os europeus lastimando a esterilidade do seu país por não encontrarem nele tantos recursos que a pródiga natureza oferece aos brasileiros, já pela riqueza de seus metais preciosos e minerais de toda espécie, já nas produções vegetativas, na abundância da caça silvestre, pesca e aves, e finalmente pela extensão de mil e duzentas léguas de costa marítima, em cujo âmbito pode caber mais de 300 milhões de habitantes e ser por tudo isto um dos maiores impérios do mundo.

 

 

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