O T E M I D O MANO E L I N A C I O
AO DR. LOUREIRO FERNANDES
Não se poderia dizer que Manoel Inácio fôsse um sujeito empelicado. Crescera em parcos cueiros de amarga orfandade, acocado pela bondade simples da avó, devotada à filha, sucumbida à míngua, numa malvadeza do alastrim que talara, o sítio, segando vidas, numa recaída ocasicnada pelo nenhum resguardo do rancho mal calafetado.
Mesmo assim, fraco como filhote de socó-boi, ninado em degastado tipití como num aturá indígena, aleitado na vasada muxiba da madrinha, e mais tarde alimentado com bananas São Tomé, assadas na cinza quente e mastigadas por Nhá Brazilia, que sem entôjo lhe empanturrava a boquinha gulosa com a pasta salivada, foi desenvolvendo-se apesar do definhante garrotilho, ao lado da Eusébia da Maricota, sua irmã colaça, como um animalzinho selvagem, esquivo, abusando da liberdade nativa.
Rapazola, já sabendo manejar a trarafa e arpear com desembaraço, colher a bolina ou domar a "Guararema" no tembé das cavas, golpeuo-o a vida com nova e alanceada mágua. Foi num ageniade da tarde, quando o sol, despindo a japona felpuda de nuvens., se escondia na enfesta na Serra da Prata, que êle retornou do "Cercado", macambúzio, emocionado pelo sepultamento do corpo enrijado da avó Brazilia, que ficaria apodrecendo na areia fôfa, nc socavão abrigado, como tronco cuspido na praia, mirrada na sua velhice, como palma benta esquecida num canto de oratório simples.
Era como se lhe zimbrasse uma segunda orfandade, agora mais crua e pungitiva para sua alma tímida, começante a sonhar com os arvores da vida. E no cismar das heras quietas, na mansidão amodorrante que lhe plasmava o espírito, ouviu o urutau agoureiro, lúgubre, ecoando de seu coração consumido de saudade.
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Pensou no pai que não conhecera, safardana e cachaceiro, cêdo emigrado para a estiva da cidade, abandonando a companheira pejada dele próprio, cruciada de vergonha e que em pouco morria, em surto de libertação e esquecimento.
Recordou a avó, amadurecida e amante, a encher-lhe a mente de pavor, afirmando casos macabros da Caipcra unipede, baforando quebrantos pelas frinchas dos ranchos não
esconjurados pela arruda, que o deixavam transido e trépido de mêdo.
Pensou o que perdera de sua malograda benquerença, sentindo-se mergulhado em aniquilante melancolia de abandono.
Mas, na noite ensombrada do isolamento, como benéfico palor de luar espargindo suavidade no amargurado das suas memórias, exsurgiu-lhe o vulto de Eusébia, sua irmã de leite, acarinhando-o com as mãos fatigadas pela lida, entanto macias e afáveis, como a viração que afaga a pragana fulva dos ubás, fazendo-a palpitar de leve, arrepiada do contato blandicioso e sutil.
Passou a revê-la em sua camisola de serafina; os seus olhinhos apagados de sapiroca, afetados pela dor dolhos; os tamancos esquecidos na areia branca, como barquinhos parados; os cabelos caindo pelos ombros estreitos; as pernas finas, lustrosas, marcadas dos "camarões" do fogo...
Surpreendeu-se de que já fôsse mulher, cheia de viço e encanto. E num escondido do peito, como centêlha dormida no tavêvê do braseiro, sentiu luzir a flama da sua cobiça por ela.
Os guaperuvús flavesceram em flores e retornaram ao verdor das fôlhas espalmadas, sem que Manoel Inácio topasse coragem para falar a Eusébia, do segredo que seu coração abafava, fervente como surriada de mar batido na pedra.
Debalde as afanosas velhas azoinavam, como motucas da praia, destilando ácido, fradeando daquele derriço, que parecia não ter mais fim.
Ela não sabia diferençar o seu enlevamento, o torpor que o pasmava a seu lado, estonteado do eflúvio quente da carne plapitante e virgem.
Eram sempre os mesmos companheiros, andejando com os dedos mindinhos enroscados em fraternal aconchêgo, conversando ao acaso, os olhos acompanhando o revoar dos te
soureiros de asas distendidas, riscando o espaço de negro, ou descobrindo cousas nos frouxéis de nuvens que manchavam
céu.
De volta ao rancho, porém, quando ouvia o sabiá sere
natear para a fêmea na aroeira frutífera, em reencontro de amor, Manoel Inácio sentia-se embrutecer, lastimava-se de ser assim languente e sarambé, e despertava nele a lascívia de tomá-la nos braços, de amachucá-la em carícias doces, de beijá-la enternecidamente na boca.
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Manhãzinha, entretanto, banzado dos seus pensamentos, embiocava-se na sua debilidade, esmorecia, ensoado, e ficava esperando que ela o acoroçoasse, para dizer-lhe, então, do seu afligente enrabichamento.
A bandeira do Divino vinha de longe, poeirenta de muitas estradas, vermelhando no esmalte azinhavrado do mato iluminado de sol.
Fazia um tempão que a Companhia engendrara aquela marcha largando-se por êsses pagos de Deus, rumo ao acaso, cortando por caminhos e atalhos, transpondo os cerros com que ia esbarrando, varando esteiros e esquisitos, e pousando algures.
Integravam-na o "folião", o "tiple", o "contrato" e o "rabequista", na realidade o violeiro, o caixa, o portador da sacola de esmolas e o executor da rabeca bastarda.
Quando o pendão do Divino vem a par com a bandeira da Trindade, de cor branca-encardida, a "Companhia" ou "Romaria" é elevada ao dobro; em qualquer das hipóteses, porém, o "tiple" é sempre um meninote mais ou menos ladino, com voz aguda, estridente, conhecida como voz de "requinta".
Acumula a função de "soprano" com a de tocador de caixa, formando o côro com o folião, que é "contralto", e o contrato, o "tenor" do conjunto. Só o rabequista não toma parte na cantilena, com o queixo barbalhantes fincado no rabo do instrumento, lembrando descomunal gusano perfurando o fundo de um batelão pcitado.
As pancadas da maçaneta, na pele curtida de cotia, repercutindo no ôco do barrilote apertado em embira cochada, cadenciadas e surdas, vão ajuntando o acompanhamento da gente simplória, devota do estandarte desbotado, de fitas es
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torricadas, que traz no tôpo a pomba simbólica, acocurutada num tufo de flores, como rôla de arribação cansada de prolongado vôo.
Bonachão e bazulaque, Jango Tabatinga que na mocidade também zangarreara na viola, era o senhor da casa que melhor acolhida podia oferecer em todo o Tambarutaca. Disso vinha inteirado Chico do Desterro, matreiro e labioso caboclo imigrado do sul, que sobraçando a famanada viola encaminhava a procissão, com bússola acertada, "sabendo onde ir parar".
Por fim a Companhia estacou, espraiando-se o acompanhamento pela sombra larga da gameleira galhuda.
Os dedos do folião deram de amaciar as cordas, depinicaram o bordão e a prima, começando a pontear. A rabeca guinchou, estrídula, pondo-se a gemer afligida pelo tan, tan, tan, tan-tan isócrono que o tiple ia automáticamente marcando. E as três vozes foram-se elevando, sonoras, ritmadas, na entonação dos versos adaptados à chegada:
"Na chegada do Divino, No céu acendeu-se luz, O Divino vem salvar A imagem de Jesus.
Divino Espírito Santo, Com sua bandeira veio, Com seus poderes sagrados, Só pra fazer um passeio.
Divino Espírito Santo, Divino consolaçãr, Consolai a nossa alma, Quando do mundo se fôr.
Chico do Desterro desde muito tempo ganhara a vanglória de menestrel das praias, não lhe enfarando a vida andeja e estúrdia que levava, de cigarra caipira, namoradora do mar.
Por uma penca de vezes os seus achatados pés calcorrearam pelo litoral, a céu aberto, como "folião" ou "alferes" da bandeira, pedinchando para festas, em chão afastado. E nesse caminhar vagabundo, de nômade indígena, ninguém lhe levou a lampa no iscar o espinhel da simpatia, de que sempre recolhia o melhor quinhão. Dessa vez não lhe escapou à argúcia a figura encarquilhada de Mia Josefa, mãe de Nhani~. Tabatinga, açafroada como fôlha de mangue aue vai boiando nágua, arrimada num esteio de assoalhar os peixes, como se fosse costal de parambijú escalado, secando ao sol. Caborteiro, atirou-lhe o alambicado improviso, certo do seu proveito:
"O Divino Espírito Santo Vem cansado de voar, Sabendo que estaveis doente, A saude vem vos dar".
Nha Josefa era a simpleza em pessoa. Alegrou-se com o piedoso voto, não lhe alcançando a lisonja, e escancarou a boca murcha, de noite sem luzeiro.
Sem transição o côro encetou o "agradecimento", tão logo as moedas pararam de cair no fundo do bornal de lona, como coroanhas expelidas de vagens amadurecidas:
"Na costa do mar sagrado O Divino apareceu,
Pra agradecer a oferta, Que seu devoto Lhe deu.
Vós sois o nosso conforto, A nossa consolação,
Os raios de vossa luz Enchem nosso coração.
O senhor deu sua oferta, Pra êsse Pai onipotente; Deus lhe dê grande fortuna, Saúde primeiramente.
Divino Espírito Santo, Nosso Pai de alegria,
O senhor, dona senhora, Êle está abençoando,
E tôda sua família!"
O Divino Espírito Santo Tem poder pra lhe pagar, Tambem tem grande fortuna Pra em suas mãos entregar.
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A oferta de sua família O Divino há-de pagar, Com saúde e com fortuna, Quando por Ële chamar".
Desde a formação daquele pequeno cortêjo, que Chico do Desterro vinha olhando de través para a Eusébia da Maricota, sapeando-a, fascinando-se da sua beleza agreste e dos olhos
pardos como mar chumbado, reverberantes na emoção mística de conduzir a bandeira.
Foi a ela que escolheu para a galanice do seu "Canto de rei", procurando dar à voz o adoçamento do mel mandaçaia:
"Sinhá dona deu oferta, Foi com fé no coração, Pra receber do Divino Uma rica proteção.
Agradeço sua oferta, Oferta que a senhora deu. Há de ser favorecida,
Do Espírito de Deus.
Sinhá dona deu oferta, Pro Divino Espírito Santo; Há-de ter muita saúde,
Se coberta com Seu manto".
Eusébia espiou de soslaio para o violeiro, sentindo o afogueada do sangue borbulhar na pele morena do rosto, com a vermelhidão que o sol põe na face das madrugadas marinhas. .
Baixou os olhos aturdida de vexamento, porém sentindo no coração o escalracho suave uo batel do Amor, em banzeiro no alagado das suas primeiras impressões. Mas seu deva
neio foi abruptamente quebrado pelo acre cantar da Roma ria, em animadversão aos sumíticos, que nada deram, por cainheza ou por falta de haveres, ferindo-os com o acúleo do anátema exemplificante e molesto, que lhe eriçou a alma ingênua, como queimor de ortiga do mar:
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"Fechastes a vossa porta, Cortastes a vossa sorte; Assim que se feche o céu, Na hora de vossa morte!
Vós fechastes vossa porta, Pro Divino não entrar. Guardai a vossa riqueza, Pra água do monte levar".
E já o côro volteava na "despedida do acompanhamento", em convite amigável, maneiroso e irrealizável:
"Esta bandeira sagrada Vos há-de deixar feliz, Vos convida para a festa Dentro da sua Matriz.
O Divino se despede,
Com sua bandeira de flor, Diz adeus, até a festa,
E pro ano, a quem lá fôr".
Jango Tabatinga, de sobejo, conhecia do ofício. Não poucas vezes a sua porta se abriu para albergar o Divino, acolhendo com lhanura a comitiva ao abrigo do velho telhado. Hospedeiro por índice, dentro em pouco punha Chico do Desterro à vontade, falando do tempo inseguro, do puxeirão para as roçadas, da saporema que ia lastrando pela mandioqueira.
Lá no terreiro o tiple emporcalhava as mãos com as cabeludas arroxeadas, engulindo-as com a voracidade da araponga, na espera do contrato e do rabequista, que flecharam apressadamente para o mato, furando pela língua arenosa do caminho, em direitura ao porto.
Sob a coberta de guaricana, no puxado da casa, Sinhaninha apressurava-se no preparo da caldeirada, os olhos vertendo da fumaraça causticante da cupiuba mal ardida, en
quanto Eusébia, de enxerida, ia escamando as pescadinhas e os paratís, tentada pela alcovitagem da anciã, que lhe curu
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piara mexericos ao ouvido, convencendo-a de tal forma, que ela juraria ter visto Santo Antônio olhar do pequeno nicho, piscando-lhe brejeiramente um olhinho esperto, muito redondo, muito cinzento, como semente madura de caapiá...
Finalmente findou o ajantarado. O rabequista arrotou, chupando os dentes, com ruído demasiado para o seu tamanho caxexa.
Chico do Desterro despendurou a viola, e a Romaria procedeu o "venzimento da mesa", na sua tradicional forma de gratidão:
"Vamos venzer a honrada mesa, Como de Deus foi venzido,
Meu senhor, dona senhora, E toda sua família, Ficamos agradecido.
O Divino Espírito Santo Está fazendo venzimento; Na sua casa senhor,
Com sua bandeira bento, Êle faz o pagamento.
O Divino Espírito Santo, Êle é Pai de alegria, Êle faz o pagamento, P´los quatro da Romaria.
Muito obrigado, senhor, Por seu leal coração.
Que sempre na sua mesa, Deus lhe dê o sagrado pão".
E a seguir, numa virada de toada, prosseguiu no "encerramento da bandeira", pausa e descanso para o afanoso dia:
"Divino Espírito Santo Nesta hora vai se encerrar, Êle vai subir pra Glória, Pra madrugada voltar.
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O Divino vai pra Glória, Neste seu andor de flor, Vai fazer o, encerramento No céu com Nosso Senhor.
O Divino vai pra Glória, Na bandeira vai escrito, Vai fazer o encerramento Lá aos pés de Jesus Cristo".
Encaixilhados na moldura rústica do portal, Chico do Desterro e Eusébia da Maricota cochichavam, as suas sombras projetadas no páteo sem claridade, alongadas e unidas, como aquarela sem vida.
Um morcego que outro, rasgava a escuridão, em vôos sem ruido, em busca de presas descuidosas.
Na distância ouvia-se o rouquejar das ondas revoltadas, como vozes roufenhas, de uma turba em protesto.
Estirados no perí das esteiras, no fundo da sala, os demais refaziam-se da pernada, em sono profundo.
Alhures, a asma de Nha Josefa afligia, isocrônica com o ressonar assobiante do rabequista bepuira.
Pra Chico do Desterro e Eusébia da Maricota, o seu encontro fora uma premoção do Divino: os destinos de duas almas, justapostos numa encruzilhada de caminho, preconcebido pela divindade.
Do que êles murmuraram, nunca se terá notícias; o aperto das mãos, prolongado e quente, foi o sêlo de um compromisso formal, resoluto, definitivo, que pereceu na mudez da noite.
Jango Tabatinga, na penumbra da cozinha, observava em silêncio, lavando os pés com a mesma displicência com que Pilatos lavara as mãos, eximindo-se de culpa:
- "Eusébia era sózinha no mundo. Uma ave desarvorada., com futuro incerto. E o pasmado do Manoel Inácio nada resolvia, boiando como "mãe dágua", deixando o tempo passar" ...
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E, filosofando, Tabatinga pinchou fóra a água da gamela de cacheta, remoendo por entre a cacaria dos dentes:
"Há-de ser favorecida Do Espírito de Deus..."
Ainda faiscavam estrelas no céu, quando a Companhia despertou, aprestando-se para reiniciar o fadário.
Chico do Desterro apertou as cravelhas, retesando as cordas. E as vozes harmônicas cantaram com vivacidade,
alegrando a madrugada, a "alvorada da bandeira",
cerramento folclórico do ritual semi-pagão:
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"Alvorada! Alvorada!
Hora em que Cristo nasceu, Acendeu-se a luz da Glória, O Divino apareceu.
O Divino Espírito Santo Veio dar sua alvorada, Veio abençoar seus devotos Com sua bandeira sagrada.
Oh! nesta tão grande hora, Resplandece o mundo inteiro; O Espírito Santo vem da Glória, Com seu poder verdadeiro.
Divino Espírito Santo Está pondo sua bênção No contrato e rabequista, No tiple e no folião".
Momentos depois do café com mistura, a Companhia marchou para o porto, donde a canoa de canela preta largaria para as Laranjeiras.
A Romaria ia agora em número ímpar, e florescida: Eusébia da Maricota resolvera acompanhar Chico do Desterro, na sua aventura de folião inveterado.
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Nha Josefa fôra cúmplice naquela decisão final, influindo com o seu conselho, mas confiava que Eusébia seria feliz. As pupilas baças voltadas para a lonjura do tempo, sonhava com um dia que vinha amanhecendo, doirado de luz, em que ela também, numa afoiteza singular, aventurou-se a partir, rebocada por um caboclão despreocupado, em busca da felicidade que seu coração desejava.
E ali ficou no seu sonho, os olhos perdidos no betado que a madrugada ia pintando, até que uma bagada lhe escorregou pelo enrugado da pele macerada, amarelenta como folha de mangue que vai boiando nágua...
Manoel Inácio fôra acutilada pela sorte. Julgou-se um precito da vida, e isolou-se em mutismo profundo e martirizante, consumindo-se.
- "Era o mal da malincolia", bedelhavam as velhas beruanhas da praia, zunindo.
Mas um dia viram a "Guararema" proejar para as Laranjeiras, rasteando Eusébia, como fantasma de esperanças mortas.
E ninguém ficou sabendo, ao certo, o que aconteceu depois... |